quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Músicos, artistas e líderes eclesiásticos cristãos formulam manifesto

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  • Após um acampamento no qual foram discutidos temas pertinentes a respeito da música em um contexto ministerial, músicos e líderes cristãos ligados à área formularam um manifesto. A carta ganhou um caráter comemorativo, devido ao aniversário de 25 anos do Projeto Som do Céu. Confira abaixo, na íntegra, a ''Carta do Som do Céu''.

    Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos das variadas regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 a 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: ''A música e os músicos na igreja” e ''A igreja como promotora de cultura''.

    Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido consistente e coerente com a Palavra de Deus – nosso referencial maior – nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a “Carta do Som do Céu”, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, nesse princípio de século XXI:

    1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;

    2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda humanidade e não está restrita aos cristãos;

    3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;

    4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;

    5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;

    6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada toda e qualquer tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;

    7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;

    8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;

    9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;

    10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;

    11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;

    12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;

    13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentoriar a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;

    14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;

    15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;

    16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do Reino;

    17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no Reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;

    18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;

    19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;

    20. Muito embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o Reino de Deus;

    21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;

    22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.

    23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;

    24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;

    25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.

    São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.

    Assinam:
    Debatedores:
    Aristeu de Oliveira Pires Junior – Canela (RS)

    Carlinhos Veiga – Brasília (DF)

    Denise Bahiense – Rio de Janeiro (RJ)

    Erlon de Oliveira – Belo Horizonte (MG)

    Gladir Cabral – Florianópolis (SC)

    João Alexandre Silveira – Campinas (SP)

    Jorge Camargo – São Paulo (SP)

    Jorge Redher – São Paulo (SP)

    Marcos André Fernandes – Garanhuns (PE)

    Marlene F. Vasques – Goiânia (GO)

    Nelson Marialva Bomilcar – São Paulo (SP)

    Paulo César da Silva – São José dos Campos (SP)

    Romero Fonseca – Goiânia (GO)

    Rubão Rodrigues Lima – Brasília (DF)

    Sérgio Paulo de Andrade Pereira – Ribeirão Preto (SP)

    Wesley Vasques – Goiânia (GO)

    Demais participantes:
    Alfredo de Barros Pereira – Brasília (DF)

    Andréa Laís Barros Santos – Maceió (AL)

    Aracy Clarkson Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

    Armando de Oliveira – Salvador (BA)

    Bruno Leonardo Alves da Fonsêca – Garanhuns (PE)

    Caio César da Silva Pereira – Brasília (DF)

    Carolina Gama – Campinas (SP)

    Carolina Lage Gualberto – Belo Horizonte (MG)

    Cláudia Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

    Danielle Martins Lima – (MG)

    Davi Julião – São Paulo (SP)

    Dora Bahiense – Florianópolis (SC)

    Elecy Messias de Oliveira – Goiânia (GO)

    Fábio Cândido de Jesus – Anápolis (GO)

    Felipe de Freitas Hermsdorff Vellozo – Niterói (RJ)

    Francely F. Barbosa – Anápolis (GO)

    Glauber Toledo Plaça – São Paulo (SP)

    Gleice de Oliveira Vicente Cantalice – Maceió (AL)

    Guilherme e Alessandra Fontes Vilela Carvalho – Belo Horizonte (MG)

    Guilherme Praxedes – Belo Horizonte (MG)

    Hadassa de Moraes Alves – Viçosa (MG)

    Irineu Santos Junior – Belo Horizonte (MG)

    Isabella Sarom Sabino Honorato – Anápolis (GO)

    Ismael S. Rattis – Brasília (DF)

    João Carlos Pereira Junior – Vitória (ES)

    Jocemar “Mazinho” Filho – Recife (PE)

    Jônatas de Souza Reis – Belo Horizonte (MG)

    Karen Bomilcar – São Paulo (SP)

    Leonardo de Azeredo Peclát – Goiânia (GO)

    Leonardo Rodrigues Barbosa – Brasília (DF)

    Lidiane Dutra da Silva – (MA)

    Marcel Martins Serafim – Jacareí (SP)

    Marcelo Gualberto da Silva – Belo Horizonte (MG)

    Márcia Pacheco Foizer – Brasília (DF)

    Marilda Redher – São Paulo (SP)

    Marivone Lobo Pereira – Ribeirão Preto (SP)

    Pedro Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF)

    Rafael Ribeiro Santos – São Paulo (SP)

    Renata Telha Ferreira – Rio de Janeiro (RJ)

    Roberto Cândido de Barros – Curitiba (PR)

    Selma de Oliveira Nogueira – São Paulo (SP)

    Silvestre Moysés Loyolla Kuhlmann – São Paulo (SP)

    Stênio Március – São Paulo (SP)

    Talita Estrela R. Martins – Belo Horizonte (MG)

    Vânia Sathler Lage – Belo Horizonte (MG)

    Walma Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)

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